Em live, Sinteps debateu problemas psicológicos dos trabalhadores na pandemia. Psicóloga respondeu questões importantes

Dando continuidade à série de lives que está promovendo durante o período de quarentena, o Sinteps realizounova atividade em 19/5/2020. Com transmissão ao vivo pelo Facebook da entidade, foi debatido o tema “As condições psicológicas dos trabalhadores em época de pandemia”, com a presença da psicóloga Fernanda Lou Sans Magano, presidente do Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo, e da presidente do Sinteps, Silvia Elena de Lima. A mediação coube a Renato de Menezes Quintino, diretor do Sindicato.


Antes desta, o Sinteps já promoveu duas outras lives. A primeira delas, em 28/4, com a presença de lideranças estudantis do Centro e diretores de entidades sindicais irmãs, da Unesp e da Unicamp, debateu o tema geral pandemia e educação. No dia 7/5, com a presença do advogado Augusto Bonadio, membro da AJ do Sinteps, foram abordados os direitos dos trabalhadores durante a pandemia (clique para conferir a cobertura detalhada).


Em sua exposição inicial, a psicóloga Fernanda apresentou concepções gerais sobre o tema. Ela também respondeu às perguntas enviadas previamente por trabalhadores do Centro, o que pode ser conferido na versão integral da live.


A seguir, acompanhe um resumo de cada ponto abordado pela expositora inicialmente:


Definições e concepções sobre o trabalho

O trabalho humano é uma atividade complexa, multifacetada, polissêmica, que não apenas permite, mas exige diferentes olhares para sua compreensão. Quando falamos de trabalho nos referimos a uma atividade humana, individual ou coletiva, de caráter social, complexa, dinâmica, mutante e que se distingue de qualquer outro tipo de prática animal por sua natureza reflexiva, consciente, propositiva, estratégica, instrumental e moral.

 

A importância do trabalho na vida das pessoas

O trabalho ocupa posição central na sociedade e na vida dos indivíduos, pois desempenha função fundamental na construção de espaços públicos coletivos de convivência. O trabalho é o que insere as pessoas no meio social, sendo assim o principal responsável pela construção e constituição das relações sociais.


Todavia, apesar da questão identitária, o trabalho no modo de produção capitalista deixa de hominizar e passa a alienar, pois o produto e o próprio processo de produção se tornam estranhos ao trabalhador. O capitalismo modifica a visão de liberdade do homem à medida que precisa vender sua força de trabalho para sua sobrevivência, dissociando o trabalho do homem que o realiza.

 

Qual a relação entre saúde e trabalho?

O trabalho envolve também o sentido de bem-estar, auto realização, fonte de prazer e importante fator na construção da subjetividade dos sujeitos.Desse modo, ocupando lugar tão relevante na vida das pessoas, o trabalho passa a ter relação direta com as condições de saúde tanto física quanto mental.


O trabalho, por ser um dos fatores centrais na construção da subjetividade humana, afeta a relação de prazer e sofrimento no trabalho que, por sua vez, pode se transformar em adoecimento físico e psíquico; daí sua estreita ligação com a saúde.

 

O trabalho influencia a saúde e o adoecimento dos trabalhadores e trabalhadoras? De que maneira?

O trabalho influencia a saúde e o adoecimento dos trabalhadores e trabalhadoras, em primeiro lugar, pelas condições dos ambientes onde ele é realizado. Na realidade brasileira, é muito frequente encontrarmos agressões à saúde provocadas por razões objetivas e subjetivas. A saúde pode ser agredida, também, devido a problemas na relação entre trabalhadores e trabalhadoras com seus instrumentos de trabalho e pelas relações interpessoais, de forma geral.

 

E como fica a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras?

Nos últimos anos, assistimos a grande avanço no desenvolvimento no campo da saúde mental do trabalhador, em especial, a partir da compreensão proposta pela Psicodinâmica do Trabalho, a qual analisa a inter-relação entre saúde mental e trabalho, e enfatiza a centralidade do trabalho na produção da saúde e da doença. Porém, existe, ainda, grande dificuldade para a definição de condutas e procedimentos estruturados para a investigação e para o acompanhamento terapêutico dos trabalhadores com sofrimento mental relacionado ao trabalho.


Os quadros atuais de adoecimento que se apresentam em ações de Saúde Mental Relacionada ao Trabalho têm desafiado o diagnóstico clínico e etiológico, dificultando, também, as ações terapêuticas e a reabilitação.Entre essas dificuldades, encontramos a tentativa do gestor de não estabelecer nexo causal / vinculação entre os quadros clínicos e o trabalho.

 

O que se considera saúde da trabalhadora e do trabalhador?

Segundo a Lei nº 8.080/90, art.6, §3.º, entende-se por saúde da trabalhadora e do trabalhador um conjunto de atividades que se destina, por meio de ações de vigilância epidemiológica e de vigilância sanitária, à promoção e à proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e à reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e aos agravos advindos das condições de trabalho, e abrange diversas ações.


De uma forma geral, saúde do trabalhador e da trabalhadora pode ser entendida como um conjunto de fatores que determinam a qualidade de vida, como as condições adequadas de alimentação, moradia, educação, transporte, lazer e acesso aos bens e serviços essenciais que contribuem para a saúde. Também, como direito de todo trabalhador e trabalhadora está a garantia de trabalho e do ambiente saudável que não gere adoecimento ou morte.


Clique para acessar o vídeo
com a live completa e conferir as respostas às perguntas específicas dos trabalhadores do Centro.