8 de Março - Representante da CUT falou sobre situação da mulher na pandemia durante reunião do Sinteps

A reunião do Conselho Diretor (CD) do Sinteps, no dia 8/3, teve um ponto de pauta especial dedicado ao Dia Internacional da Mulher. O CD – que reúne mensalmente os diretores de base, regionais e da executiva do Sindicato – trouxe como convidada Márcia Regina GolçalvesViana, Secretária da Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Em sua exposição, Márcia ressaltou que a pandemia, ao aprofundar a desigualdade social, que já é assustadora no Brasil, atinge de maneira mais cruel as mulheres, com sobrecarga de trabalho doméstico e do cuidado com as crianças, doentes, idosos etc. “Pesquisas apontam que, durante a pandemia, 50% das mulheres passaram a cuidar de alguém – no caso das mulheres rurais, esse índice sobe para 62%”, relatou.

 

Em seguida, confira artigo escrito por ela, que resume a fala feita durante o CD do Sinteps, intitulado “Pela vida das mulheres”, que pode ser conferido aqui ou a seguir:

 

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Pela vida das mulheres

Neste momento, o Brasil ultrapassa a marca de 260 mil mortes pela Covid-19. E não temos dúvidas de que a grande maioria dessas mortes poderiam ter sido evitadas se a pandemia fosse enfrentada com seriedade pelo governo brasileiro.

É por isso que, neste ano, o mote do nosso 8 de Março é “Mulheres na luta pela vida: Contra a fome e a violência. Por vacina, auxílio emergencial e emprego decente, já! Fora, Bolsonaro!

A pandemia, ao aprofundar a desigualdade social, que já é assustadora no Brasil, atinge de maneira mais cruel as mulheres, com sobrecarga de trabalho doméstico e do cuidado com as crianças, doentes, idosos etc. Pesquisas apontam que, durante a pandemia, 50% das mulheres passaram a cuidar de alguém – no caso das mulheres rurais, esse índice sobe para 62%.

A crise sanitária acelerou ainda mais o ritmo de trabalho das mulheres que vivem com medo do desemprego e da fome, de não poder comprar o gás de cozinha, que chega a custar R$ 100,00, e de não conseguir pagar o aluguel.

Além disso, a pandemia escancarou o fato de que a casa não é um lugar seguro para uma grande parte de mulheres e meninas, que sofrem todos os tipos de violência, como física, psicológica, sexual, patrimonial.

Não podemos deixar de citar neste 8 de Março sobre a violência institucional, que é o tipo de violência contra as mulheres que ousam adentrar o mundo da política. Nas últimas eleições, inúmeras candidatas mulheres sofreram violência política, tendo sua integridade física e/ou emocional ameaçadas.

Nós, mulheres paulistas, ficamos indignadas com a atitude inaceitável de um parlamentar que cometeu assédio sexual publicamente em dezembro de 2020, contra a deputada estadual Isa Penna (PSOL). Repudiamos a forma como a Assembleia Legislativa encaminhou, até este momento, o processo de punição do agressor. Ao invés de ser punido, o agressor pode ser favorecido levando apenas uma suspensão, quando, na verdade, devia ter o seu mandato cassado.

E, por falar de impunidade, lembramos que no dia 14 de março completará três anos do assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, vítima de “feminicídio político” e ainda não sabemos quem mandou matar e o porquê.

Nós, mulheres, queremos o direito de viver sem violência!

 

Vacina, já!

O mundo inteiro se pergunta como pode um país, que tinha um programa de imunização como referência internacional, não ter vacinado nem mesmo 5% de seu povo graças à falta de competência do governo para negociar a compra de vacinas contra o coronavírus.

Bolsonaro (ex-PSL) não faz questão alguma de se empenhar e garantir a vacinação da população brasileira, pois, desde o início da pandemia, vem negando a crise sanitária, boicotando sistematicamente as iniciativas de combate à pandemia, além dar inúmeras declarações minimizando e debochando da gravidade da Covid-19.

 

Pela retomada do auxílio emergencial

Bolsonaro deu mais uma demonstração de que não está preocupado com a situação do povo brasileiro ao cortar o auxílio emergencial e empurrar 27 milhões de pessoas para a extrema pobreza, conforme aponta estudo da FGV social.

Estamos atravessando o pior momento da pandemia e sem perspectiva da vacinação em massa. Vale dizer que 81% das vagas formais destruídas em 2020 eram ocupadas por mulheres e são elas as responsáveis pela renda familiar de quase 50% dos lares brasileiros, sendo que, das 34,4 milhões de mulheres chefes de família, 32% são mães solteiras.

Cortar o auxílio emergencial,no momento em que a nação brasileira mais precisa dele, é um ato criminoso, pois além de matar a população, propiciando a proliferação do vírus, vai matar também de fome.

É por tudo isso que, neste 8 de Março, estamos unidas no Brasil inteiro, num extenso calendário de luta contra esse governo que nos oprime e nos violenta para dar o nosso recado: Não vão nos calar! O caminho é a luta e, como nos ensina a grande escritora, Dra. Conceição Evaristo: “Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”.