Sindicato divulga carta à comunidade com avaliação da proposta apresentada pelo Centro: onde avançamos e o que queremos mudar
A revisão da carreira e o fechamento da Pauta de Reivindicações da campanha salarial de 2026 foram os temas centrais da reunião do Conselho Diretor (CD) do Sinteps – composto pelos diretores de base, regionais e da Executiva – em 26/2/2026.
Ambas as questões – carreira e data-base – se entrelaçam nas lutas deste início do ano.
A Pauta 2026, que trata das nossas reivindicações salariais e de condições de trabalho, já está definida e será protocolocada junto ao Centro e ao governo no dia 2/3/2026 (clique para conferir matéria específica).
Em relação à revisão da carreira, o momento é decisivo. O projeto apresentado pelo Centro, que já está tramitando nas secretarias de governo (e que está sendo acompanhada passo a passo pela Diretoria Executiva do Sinteps), é bem diferente da proposta construída pela categoria no Congresso do Sinteps de 2017. Essa avaliação consta numa carta do Sinteps à comunidade do Centro, aprovada pelo CD, e que traz a posição da entidade sobre o projeto do governo. “Baseado em sua reforma administrativa, o governo Tarcísio está impondo às categorias um modelo de carreira que não condiz com os anseios do funcionalismo. Com a nossa, não é diferente”, assinalou Fernando Salvador, presidente do Sinteps. “Mas nós estamos disputando esse texto e vamos seguir na luta”, disse.
A carta apresenta os pontos onde já avançamos, fruto de pressões e negociações, e onde é preciso ampliar a mobilização para conquistar, como você confere abaixo.
O Sindicato está oficiando o secretário da Casa Civil, Roberto Carneiro, pleiteando o agendamento de uma reunião, para discutir a carreira.
Hora de mobilizar: estamos em estado de greve e vamos parar um dia em 17/3
O CD do Sinteps aprovou de forma unânime a decretação de estado de greve, ou seja, a categoria está alerta e pode entrar em greve para defender melhorias no projeto.
Como primeiro passo na mobilização deste ano, o CD indica aos trabalhadores e às trabalhadoras do Centro a realização de um dia de greve, em 17 de março, data em que também deverá ser realizada uma audiência pública na Assembleia Legislativa, onde vamos dialogar com os deputados e as deputadas, inclusive com as lideranças dos partidos, sobre as emendas que vamos apresentar ao projeto.
As unidades devem realizar assembleias setoriais até 10/3 para definir seu posicionamento sobre a greve em 17/3 (Sim ou Não). Se não houver diretor de base em sua unidade, reúna os colegas e faça a discussão. Todos os subsídios (ata/lista de presença) estão no site, no item “Fique por dentro” – “Greve em 17/3/2026”. Após a assembleia, envie a ata/lista para
Carta aponta o que já conquistamos e o que queremos mudar no projeto
Clique aqui ou leia a seguir a carta do Sinteps com os pontos que avançamos e aqueles que precisamos lutar para consquistar:
........................
CARTA À COMUNIDADE DO CENTRO PAULA SOUZA
Nenhum direito a menos! Vamos disputar cada ponto da carreira na Alesp!
O SINTEPS vem a público dialogar com a categoria sobre a minuta do novo Plano de Carreira apresentada pela atual gestão do Centro Paula Souza, no âmbito do Governo do Estado. É fundamental afirmar com clareza:
Esta não é a carreira que o sindicato defende como ideal para os trabalhadores e trabalhadoras do CEETEPS!
O bolso dos trabalhadores do Centro Paula Souza não pode esperar mais!
No entanto, diante da sinalização de que o governo pretende encaminhar o projeto à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o sindicato atuará em duas frentes:
- Mobilização permanente da categoria;
- Apresentação de emendas ao projeto durante sua tramitação na Alesp.
Nosso compromisso é seguir disputando o conteúdo do projeto até o último momento possível!
O QUE JÁ CONSEGUIMOS AVANÇAR?
A minuta que hoje circula não é o texto original apresentado pelo governo. Desde o início das negociações, ainda no atual governo e na atual presidência do Centro Paula Souza, o SINTEPS interveio para corrigir distorções graves.
Foram conquistas da negociação sindical:
1. Enquadramento nas disposições transitórias

Entretanto, ainda não consideramos esse ponto plenamente resolvido.
- Nossa proposta é que, no enquadramento especial, além do tempo de serviço, também seja considerada a titulação dos trabalhadores e trabalhadoras, reconhecendo a formação acadêmica acumulada ao longo da carreira.
Defendemos que esse modelo siga o exemplo da carreira já aprovada para os pesquisadores do Estado, valorizando a titulação como elemento estruturante da evolução funcional — especialmente porque somos uma instituição pública de ensino.
Tempo e titulação devem caminhar juntos no momento do enquadramento.
2. Fim do gargalo de 70% na progressão

Isso impediu a criação de uma carreira com travas artificiais e competitividade interna permanente.
3. Ampliação dos níveis para auxiliares de apoio

Ainda há o que avançar na valorização salarial, mas foi um avanço concreto obtido na mesa de negociação.
4. Garantia das aulas de concurso

Seguiremos lutando para que:
- Haja garantia mínima efetiva das aulas de concurso;
- Sejam preservadas as aulas em que o professor seja titular;
- Haja segurança jurídica na composição da jornada.
- Que a garantia das aulas prevista na minuta seja por tempo indeterminado.
O QUE AINDA PRECISA MUDAR?
Apesar dos avanços, permanecem divergências estruturais importantes.
1. Modelo remuneratório
A minuta mantém o sistema de subsídio em parcela única.
O sindicato defende:
- Remuneração por salário (vencimento básico);
- Incidência de adicionais legais e direitos históricos como quinquênios e sexta parte entre outros;
- Estrutura que permita valorização progressiva ao longo da carreira;
Esse é um ponto central da disputa política.
2. Jornada de trabalho
O sindicato defende um modelo claro e estruturado de jornada:
Para os técnico-administrativos:
- Jornada de 36 horas semanais, sem redução salarial.
Para o corpo docente:
- Regimes organizados em 36h, 24h e 12h;
- Com foco em ensino, pesquisa, extensão e desenvolvimento institucional;
- Com garantia mínima das aulas de concurso e das aulas de titularidade.
A jornada precisa refletir a natureza acadêmica da instituição e garantir estabilidade na organização do trabalho docente.
3. Extinção de cargos de nível médio e risco de terceirização
3.1. Extinção do Agente Técnico e Administrativo
A minuta apresentada prevê a extinção de cargos de nível médio, como agentes técnico-administrativos e outros segmentos administrativos, sem apresentar previsão clara de reposição desse quantitativo por meio de novos cargos públicos efetivos.
O texto também não assegura a substituição desses postos por cargos administrativos de nível superior providos por concurso público.
Isso abre uma porta perigosa para:
- Terceirização de atividades administrativas;
- Precarização das relações de trabalho;
- Perda de qualidade no serviço público prestado;
- Redução do controle público sobre funções estratégicas da instituição.
O SINTEPS é contrário a qualquer forma de terceirização das atividades administrativas permanentes do CEETEPS.
Defendemos:
- A realização de concursos públicos;
- A criação e reposição de cargos administrativos de nível superior;
- Fortalecimento do serviço público, e não sua substituição por contratos precários.
Somos uma instituição pública de ensino. A valorização da educação passa pela valorização de todos os seus trabalhadores!
3.2. Extinção do Auxiliar Docente
O Sinteps manifesta profunda preocupação com a possibilidade de extinção da carreira de Auxiliar Docente no Centro Paula Souza e sua eventual substituição pelo cargo de Analista de Laboratório.
Trata-se de funções com naturezas distintas: enquanto o Auxiliar Docente exerce papel pedagógico fundamental, atuando diretamente no apoio ao professor e aos estudantes durante aulas práticas, projetos e atividades formativas, contribuindo para o processo de ensino-aprendizagem, o Analista de Laboratório possui atribuições voltadas prioritariamente à manutenção, organização e funcionamento dos espaços e equipamentos laboratoriais.
A substituição de uma função pedagógica por outra de caráter técnico-administrativo representa não apenas um rebaixamento da dimensão educacional dessas atividades, mas também um risco à qualidade do ensino ofertado nas Etecs e Fatecs, fragilizando o apoio didático indispensável às práticas formativas que caracterizam a educação profissional e tecnológica.
Defendemos a manutenção do cargo de auxiliar docente com caráter pedagógico!
4. Valorização das tabelas salariais
Ainda é necessário:
- Melhorar níveis iniciais;
- Evitar achatamento entre faixas;
- Garantir evolução real ao longo da carreira;
- Valorizar adequadamente todos os segmentos.
ESTADO DE GREVE
Diante da iminente tramitação do projeto na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e da necessidade de ampliar a mobilização e a pressão política, o Conselho Diretor do Sinteps informa que, a partir da publicação deste documento, a categoria se encontra em estado de greve e, estará convocada a realizar assembleias setoriais para deliberar sobre a greve, o que significa que a depender do andamento do projeto e do atendimento das reivindicações apresentadas:
- Poderão ser deliberadas greves por tempo indeterminado, ou;
- Greve por tempo determinado;
Estado de greve é instrumento legítimo de mobilização e organização coletiva.
ESTA NÃO É A CARREIRA QUE DEFENDEMOS
- Ainda há pontos estruturais a disputar.
- A tramitação na Alesp será decisiva.
- A mobilização da categoria será determinante.
Nenhum avanço foi concedido espontaneamente. Cada conquista foi fruto de luta e pressão organizada. Agora é hora de ampliar a mobilização e disputar cada ponto da carreira:
Sem luta, não há conquista!
Fevereiro de 2026


