Audiência pública na Alesp chamou a atenção para as reivindicações da categoria, em especial a carreira, cujo destino final será a casa legislativa
A greve de 48h, convocada pelo Sinteps para os dias 28 e 29/10, movimentou ETECs e FATECs na capital, interior e litoral. A tabulação organizada pela entidade mostra que houve adesão ao movimento em cerca de 50 unidades. Na grande São Paulo, o ponto alto da mobilização foi a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa (Alesp), na noite de 28/10, organizada pelo mandato da deputada Professora Bebel (PT), a pedido do Sindicato.
Às vésperas do movimento, em 23/10, as unidades receberam um comunicado da Superintendência do Centro, anunciando datas para exposição do projeto de revisão da carreira (para o Sinteps, no dia 10/11), após meses de silêncio frente às cobranças do Sindicato. Era o primeiro fruto do movimento, consequência evidente da mobilização da categoria. Após conhecermos o projeto – que retornou das secretarias de governo ao Centro, pedindo “mudanças” que até o momento são desconhecidas – vamos seguir mobilizados para evitar retrocessos e lutar para avanços na carreira, além de seguir reivindicando reajuste e benefícios dignos, contra o fechamento de turmas e contra a reforma administrativa.
A propósito desta última bandeira, o Sinteps enviou representantes à Marcha Nacional em Defesa dos Serviços Públicos, em Brasília, na manhã de 29/11.
No interior, também houve conversa com vereadores e deputados, como no caso de Araraquara, onde os manifestantes conseguiram a aprovação de uma moção de apoio na Câmara Municipal, apresentada pela vereadora Fabi Virgílio (PT) e aprovada por unanimidade. Clique para conferir.
Efetivo exercício
Assim como ocorre após todas as greves, o Sinteps já comunicou os representantes do Centro Paula Souza, e solicitou a URH a garantia do efetivo exercício – nenhum desconto salarial ou prejuízo funcional – para todos e todas que participaram dos dias de greve em 28 e 29/10/2025, mediante reposição. Fique atento às divulgações do Sindicato.
Audiência pública teve depoimentos impactantes
O plenário Tiradentes, na Alesp, ficou repleto de trabalhadores e estudantes do Centro Paula Souza, que acompanharam a audiência pública “Defesa das ETECs e FATECs: Valorização dos profissionais do Centro Paula Souza”, organizada pelo mandato da deputada Bebel a pedido do Sinteps, na noite de 28/10.
Nas falas dos oradores na mesa e de vários dos presentes, foram feitas denúncias e reflexões importantes.
“As pessoas pensam que os funcionários públicos são pessoas privilegiadas, mas não somos. Trabalhamos muito para prestar serviço público de qualidade, e quem desmerece o serviço público muitas vezes são os gestores”, ressaltou Silvia Elena de Lima, atual presidente do Sinteps, em alusão à reação do funcionalismo contra a reforma administrativa. Ela listou os muitos ataques do governo ao Centro Paula Souza: “Após 56 anos de existência, o governo e a atual gestão do Centro decidiram que os cursos das FATECs não serão mais semestrais e passarão a anuais. Ninguém sabe por que, pois não houve discussão com a comunidade”, exemplificou.
A presidente do Sinteps também denunciou a inexistência de quaisquer auxílios ou bolsas de permanência estudantil na instituição, diferente do que ocorre nas universidades públicas estaduais. “É evidente que isso dificulta a continuidade de muitos alunos, que se veem obrigados a deixar os cursos nas FATECs e ETECs.”
Fernando Salvador, da diretoria do Sindicato, apresentou um conjunto de dados que resumem os 56 anos do Centro Paula Souza (números de unidades, trabalhadores, estudantes): uma instituição gigantesca, vital para o acesso à educação pública paulista, mas que sofre terrivelmente com a falta de recursos, a precariedade na infraestrutura das unidades, a desvalorização de seus trabalhadores, a falta de servidores técnico-administrativos e docentes, entre outras. “O salário inicial dos agentes técnico-administrativos é de R$ 1880,45, pouco mais que o mínimo paulista; os professores 1A e 1B ganham menos que o Piso Nacional do Magistério”, citou Fernando. Clique para ver o estudo apresentado.
Representantes estudantis presentes na mesa - Julia Monteiro, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Wesley Gabriel (União Estadual dos Estudantes (UEE) e Luna Martins, da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) e do grêmio da ETEC Getúlio Vargas – manifestaram apoio às reivindicações das trabalhadoras e dos trabalhadores do Centro Paula Souza e fizeram denúncias sobre a situação das unidades: “O que temos no estado de São Paulo hoje é um projeto de desmonte da educação e do conjunto dos serviços públicos, com privatizações e cortes de recursos, o que afeta diretamente as ETECs e FATECs”, disse Wesley. “As nossas unidades estão sucateadas, faltam equipamentos, faltam servidores e professores, faltam benefícios de permanência estudantil”, pontuou Júlia. “Cada vez mais as ETECs e FATECs estão sendo desvalorizadas, com diminuição de verbas, para depois dizerem que a solução é terceirizar e privatizar”, completou Luna.
Aberta a fala aos presentes, vários professores e técnico-administrativos deram seus depoimentos. A professora Leila Rosso, da FATEC Guaratinguetá, falou das mudanças danosas que vêm sendo impostas pela administração do Centro aos docentes que atuam em EaD. “Vemos a extinção e o esvaziamento da Equipe de Apoio Pedagógico, composta por profissionais especializados em EaD, o que gera prejuízos concretos”, denunciou.
A professora Janaína Colombo, também da FATEC Guará, falou sobre a valorização dos profissionais e estudantes do Centro do ponto de vista da saúde mental. “Como garantir a saúde mental de um docente que não sabe se terá carga horária suficiente no próximo semestre? Como garantir a saúde mental de um estudante, muitas vezes o primeiro da família a conseguir chegar à faculdade, que não recebe nenhum apoio para permanecer estudando?”, questionou.
Natanael Costa, da FATEC Pindamonhangaba, falou das más condições de trabalho e de salários que afetam o segmento técnico-administrativo. “Nossa categoria sente medo do que vai sair nesta revisão da carreira, pois muito silêncio é preocupante. Queremos que a proposta seja amplamente debatida com a categoria”, disse.
“Já vou completar 20 anos de casa e acho que estamos vivendo um dos piores momentos do Centro Paula Souza”, disse Felipe Martins, professor da ETEC Suzano. “É um projeto destrutivo, levado à frente por esse governo, e que coloca em risco nossa instituição”.
Ao final da audiência, a deputada Bebel colocou-se novamente à disposição do Sinteps e da comunidade do Centro Paula Souza para a defesa da valorização profissional, da permanência estudantil, por mais recursos para as ETECs e FATECs. Ela anunciou a intenção de publicar uma moção detalhada sobre os problemas citados na audiência no Diário Oficial da Alesp.
- Confira a íntegra da audiência pública em https://www.youtube.com/live/Nj91MtoQ9n8?si=_pQ7DnBOFCR7U10T
- Confira cortes com algumas das falas durante a audiência em: https://youtube.com/playlist?list=PLm98L4wJv09drNh7em0xQOSuwQlRYQtRs&si=Sbv3UmA9tiSXq6LL
A luta vai continuar! Vamos construir a greve geral dos trabalhadores e estudantes do Centro
A greve em 28 e 29/10/2025 foi mais um passo importante na luta pela carreira e por nossos direitos. O Sinteps já discute a convocação de uma greve geral dos trabalhadores do Centro em 2026, em preparação conjunta com o movimento estudantil. Se queremos que a carreira ande e atenda os nossos anseios, e que o governo negocie nossas reivindicações, teremos que apostar na mobilização!
Fique de olho nas convocações do Sindicato!





















