Desrespeito com o funcionalismo segue sendo a marca do governo. Cadê o reajuste das outras categorias?
O governador Tarcísio de Freitas enviou três projetos para a Assembleia Legislativa no dia 19/3/2026. Um deles prevê reajuste de 10% para as polícias Militar, Civil e Científica; outro propõe mudanças no plano de carreira da Polícia Civil; um terceiro trata de regras gerais de promoção para a Polícia Militar.
De acordo com o texto do PL 226/2026, estudos realizados pela Coordenadoria de Planejamento, Orçamento e Finanças do governo estima que o reajuste trará um impacto de R$ 1,02 bilhão no primeiro ano e até R$ 1,75 bilhão ao final de dois anos. Curioso verificar que o “limite do orçamento” desaparece dependendo das prioridades do governo.
De acordo com a regra eleitoral, projetos que concedem benefícios a servidores públicos – como reajustes ou mudanças na carreira – não podem gerar efeitos nos 180 dias anteriores ao pleito.
E o ‘resto’ do funcionalismo, governador?
O governador Tarcísio de Freitas continua ignorando o conjunto do funcionalismo paulista. Embora a data-base – mês em que deveria negociar reajustes e direitos – seja 1º de março, não há nenhuma sinalização de diálogo.
Para efeitos de comparação, desde que tomou posse, o governador Tarcísio sancionou os seguintes reajustes:

No caso dos trabalhadores das ETECs e FATECs, a Pauta de Reivindicações foi entregue em fevereiro e, até este momento, houve apenas uma devolução por escrito da direção do Centro, sem nenhuma sinalização salarial. Obs.: A diretoria do Sinteps e a assessoria jurídica da entidade estão estudando as demais respostas e, em breve, será feita divulgação. O Sindicato está solicitando, novamente, o agendamento de negociação.
Também não há uma sinalização objetiva do governo sobre a revisão da nossa carreira. A informação é que o projeto se encontra atualmente na Secretaria de Gestão e Governo Digital. Faltam ainda: Secretaria da Fazenda e Planejamento, retorno à Secretaria de Gestão e Governo Digital, Casa Civil e, de lá, ser enviado para a Assembleia Legislativa. O Sinteps já solicitou audiência com o secretário da Casa Civil do governo, Roberto Ribeiro Carneiro, e aguarda retorno.
Nossa reivindicação é de 15,38% já e plano de reposição de perdas
Na Pauta de Reivindicações que o Sinteps entregou à Superintendência do Centro Paula Souza e ao governo, a reivindicação salarial para este ano é de 15,38% para todos e plano para reposição de perdas anteriores. Os 15,38% são compostos pelo índice de reajuste do Piso Nacional do Magistério em 2026 (5,4%) + 9,98% (reajuste salarial reivindicado e não concedido no ano anterior).
Chega de desrespeito, Tarcísio!
Queremos que a carreira chegue à Alesp, para lutarmos por nossas demandas
O Sinteps vem pressionando para que o projeto de carreira tramite rapidemanete e seja enviado à Alesp. Lá, vamos apresentar emendas e disputar cada ponto que seja prejudicial à categoria.
Eis os pontos que quemos mudar:
- O modelo remuneratório: O modelo proposto no projeto de carreira que tramita nas secretarias de governo é ruim para os servidores. A remuneração por subsídio extingue os adicionais legais e históricos (quinquênios, sexta-parte e outros) e, embora possa parecer vantajosa de início, revela-se uma grande armadilha com o decorrer do tempo. Vale lembrar, inclusive, que o pagamento da sexta-parte no Centro é garantido graças à ação judicial do Sinteps. Queremos a manutenção da remuneração por salário, com a preservação dos adicionais e estrutura que permita valorização progressiva ao longo da carreira.
- Tabelas salariais: O Sinteps defende a melhoria dos níveis iniciais, a garantia de evolução real ao longo da carreira, mecanismos para evitar o achamento entre as faixas e a valorização de todo os segmentos.
- Jornada de trabalho: O Sindicato defende a implantação da jornada docente (regimes organizados em 36h, 24h e 12h) e jornada de 36h sem redução salarial para os técnico-administrativos.
- Extinção de cargos: O Sindicato é contrário à extinção de cargos de nível médio, como agentes técnico-administrativos e outros, pois isso abre espaço para a terceirização e a perda de qualidade do serviço público. Ao contrário, defendemos a realização de concursos públicos para todas as atividades permanentes do Centro.
- Extinção da carreira de Auxiliar Docente: O Sinteps não concorda com a extinção da carreira de Auxiliar Docente e sua eventual substituição pelo cargo de Analista de Laboratório, pois são funções claramente distintas.
Estes e outros pontos constam na carta do Sinteps à comunidade do centro, que também relaciona os pontos onde a nossa luta já conquistou melhorias no projeto. Confira aqui.


