Mobilização e pressão da categoria continuam sendo essenciais para avanço nas nossas reivindicações
Após várias tentativas feitas pelo Sinteps, o superintendente do Centro Paula Souza, Prof. Clóvis Dias, recebeu diretores da entidade na tarde de 1/7/2025. Ele esteve acompanhado de assessores; o Sindicato foi representado por seus diretores Fernando Salvador, Felipe Chadi, Margarete Moisés, Rafael Macedo e Marcos Abreu.
O objetivo foi obter informações e cobrar compromissos relativos à revisão da carreira, principal demanda dos trabalhadores do Centro Paula Souza, além de outros itens da pauta da categoria.
A seguir, veja o que disse o superintendente sobre os pontos elencados pelo Sindicato.
Carreira
Os representantes do Sinteps questionaram o superintendente pelo fato de ainda não haver divulgado quais “adequações” a Secretaria de Gestão e Governo Digital solicitou ao Centro, após devolver o projeto de revisão da carreira elaborado pela instituição. O professor Clóvis disse que achou mais produtivo constituir uma comissão, criada pela Portaria CEETEPS-GDS n.º 4480/2025, para avaliar os pedidos e apresentar soluções às demandas da Secretaria. Após concluído o trabalho da comissão – a estimativa é que isso ocorra até início de agosto – o Sindicato e a comunidade serão chamados para conhecer e discutir os pontos questionados e as soluções apontadas, antes que o projeto seja devolvido ao governo.
Os diretores do Sindicato reforçaram o anseio da categoria pela aprovação da nova carreira, mas destacaram a importância de que a entidade sindical tenha acesso a todas as informações e que a comunidade seja realmente consultada e possa apresentar propostas.
O professor Clóvis manifestou a expectativa de que a tramitação seja rápida e que o governo envie o projeto à Assembleia Legislativa o quanto antes, mas não arrisca estimar prazos.
O Sinteps reiterou que, em todas as etapas da tramitação do projeto, seguirá atuando para defender as propostas de interesse da categoria.
Reforma administrativa / Situação dos comissionados
Sobre a reorganização da estrutura de cargos e funções, a partir da reforma administrativa aprovada na Alesp a pedido do governador Tarcísio de Freitas, o superintendente voltou a afirmar que buscou a “solução que menos prejuízo trouxesse às unidades”. Segundo ele, a solução definida foi a extinção do cargo de Assessor Administrativo, o “atinha”.
Com a publicação do Decreto nº 69.666, em 30/6/2025, o governo estadual definiu a “Estrutura organizacional e o quadro demonstrativo dos cargos em comissão e das funções de confiança do Ceeteps”. Agora, o Centro terá 30 dias para implementar as mudanças. Segundo o superintendente, hoje as vagas são ocupadas por 2.100 comissionados e funções de confiança, que serão demitidos, sendo admitidos por volta de volta 1.700. “A partir de 1º de agosto, os recontratados tomam posse e começam a receber os salários em setembro”, informou o superintendente.
A diretora do Departamento de Gestão Estratégica e Funcional do Centro, Ogali Fukushima, disse que nos próximos dias fará reuniões com as direções das unidades e diretorias administrativas para expor os detalhes do decreto. Ela também se comprometeu a passar as mesmas informações aos Sinteps na semana seguinte.
Os representantes do Sindicato criticaram a reforma imposta pelo governo, que deixa sem emprego um número considerável de pessoas e, ao mesmo tempo, agrava sobremaneira a falta de pessoal nas unidades.
Novos concursos de administrativos
Diretores do Sinteps perguntaram ao superintendente se há previsão de novo concurso para funcionários administrativos, lembrando que o quadro já era precário nas unidades e, com o enxugamento promovido pela reforma administrativa (veja acima), tende a piorar muito.
O superintendente reconhece a gravidade da situação, mas avalia que não adianta fazer concurso antes de melhorar os salários, pois a instituição não consegue atrair muitos interessados e, no caso dos que entram, a desistência é grande. Segundo ele, a expectativa é fazer isso após a revisão da carreira, que prevê melhoria nas tabelas salariais.
Pontos com possibilidade de solução interna anunciados em março
Como fruto da greve de 19 de março, o Sinteps conseguiu negociar alguns pontos importantes com a Superintendência (a licença sem vencimentos de 2 anos para todos os trabalhadores sem discriminação de regime de trabalho; a garantia de limite máximo de 10 horas-aula diárias para os docentes que assim o desejarem; a contagem de tempo dos contratos determinados para a evolução funcional).
No entanto, apesar das seguidas cobranças do Sindicato, a Superintendência não implementou as medidas e nem anunciou os prazos para isso. Na reunião em 1/7, os diretores sindicais cobraram uma resposta sobre isso, pois são pontos que não terão impacto orçamentário algum, nem dependem da aprovação da Alesp ou governador. O professor Clovis e assessores explicaram que, antes de serem colocadas em prática, essas medidas exigem algumas alterações em portarias internas, que terão que ser aprovadas pelo Conselho Deliberativo (CD) do Centro. O objetivo, adiantou o professor Clóvis, é enviar ao CD o “pacote” completo das mudanças, para apreciação e aprovação. Os diretores do Sinteps reforçaram que para além das palavras de mudança, a instituição deve colocar em prática, especialmente a valorização dos servidores técnico-administrativas.
Em relação à garantia de limite máximo de 10 horas-aula diárias, é preciso regulamentar a hora aula de 45 minutos e, a partir daí, fazer as adequações trabalhistas necessárias. A intenção é estabelecer o novo formato nas ETECs e FATECs para início no próximo ano.
Infraestrutura/reformas
Sobre as reformas nas unidades, o superintendente reafirmou que serão liberados R$ 52 milhões para ações emergenciais em 56 unidades durante o recesso escolar de meio de ano, não foram mencionadas as unidades previstas. As prioridades foram definidas a partir de um levantamento feito em todas as unidades e que envolvem a revisão de instalações elétricas, acessibilidade e outros.
Conforme já divulgado pela imprensa, o plano completo de manutenção e reforma nas unidades, modernização de laboratórios e instalações, demandará recursos na ordem de R$ 1,2 bilhão, mas não se sabe os prazos e o ritmo em que isso ocorrerá.
Os diretores do Sinteps reforçaram a importância de que as reformas e a manutenção sejam realmente prioridade para o governo, pois a situação beira o caos em muitas unidades, como a entidade vem constatando nas muitas queixas e denúncias recebidas dos trabalhadores e estudantes, bem como nas reuniões e visitas que tem feito às unidades em todo o estado.
Vestibular/Vestibulinho
O Sinteps cobrou da Superintendência uma resposta quanto à reivindicação de redução da demanda mínima exigida no Vestibular da FATEC deste meio de ano (que está em 1,2 candidatos/vaga). A entidade solicitou o mesmo tratamento conferido às ETECs, que tiveram a demanda mínima reduzida de 1,5 para 0,7 candidatos/vaga.
O professor Clóvis argumentou que a redução da demanda nas ETECs tem relação com os problemas ocorridos com a empresa vencedora da licitação para a realização do Vestibulinho atual. Esta mesma empresa realizou o Vestibular de início do ano e, diante dos problemas ocorridos, a demanda nas FATECs também tinha sido reduzida, o que não se justificaria agora. Ele voltou a afirmar que nenhum docente de FATEC perderá o emprego ou ficará sem aulas atribuídas por conta de suspensões de turmas.
Os dirigentes do Sindicato reiteraram a necessidade de amplo debate com a comunidade antes de quaisquer fechamentos de turmas, dada a importância que as vagas públicas têm para a população paulista. Também cobraram uma maior divulgação dos vestibulares e vestibulinhos, como articulação entre a autarquia, prefeituras e o governo estadual. A oferta dos cursos deve ser parte de política pública educacional, não responsabilidade dos trabalhadores de cada unidade.
Abono complementar/Piso do Magistério
Vicente Mellone Júnior, Coordenador Técnico da Unidade de Recursos Humanos (URH) do Centro, informou que os salários dos professores das faixas iniciais já foram adequados ao novo valor do Piso Nacional do Magistério, vigente desde janeiro/2025 (que passou de R$ 4.580,57 para R$ 4.867,27). O Sinteps criticou novamente o fato de que, tanto na rede estadual quanto no Centro, as diferenças são pagas em forma de abono, sem fazer parte do salário.
Em relação aos retroativos, o coordenador da URH disse que já solicitou às unidades o envio de informações, para que os cálculos sejam feitos, mas ainda não há previsão de data para o pagamento.
Iamspe
Ao final da reunião, os diretores do Sinteps perguntaram ao superintendente se havia alguma iniciativa de abertura do Iamspe para novas adesões dos trabalhadores da instituição, lembrando que essa janela foi encerrada em abril de 2021.
O professor Clóvis informou que o Centro questionou o Iamspe sobre a possibilidade de reabertura das adesões aos celetistas e está aguardando retorno das tratativas. Os diretores do Sinteps reforçaram que a adesão ao Iamspe e a ampliação da rede credenciada são demandas urgentes da categoria, que não conta com plano de saúde próprio.
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Em agosto, vamos ampliar a mobilização por uma carreira digna para todos
Neste semestre que se encerra, fizemos três dias de greve, participamos de atos conjuntos com o funcionalismo, denunciamos os descalabros na infraestrutura das unidades, cobramos insistentemente o governo e a direção do Centro Paula Souza pelo atendimento às nossas reivindicações, especialmente a revisão da carreira e o reajuste salarial.
Em agosto, teremos novos e decisivos momentos nessa luta. A realização do 9º Congresso da categoria, entre os dias 26 e 30/8, será um desses momentos (leia mais no site). Fique atento aos chamados do Sinteps e prepare-se: sem luta, não tem conquista!








