Durante live, que reuniu trabalhadores e trabalhadoras do Centro Paula Souza, sindicato detalha motivos da paralização e a importância do engajamento coletivo
Após a divulgação da carta aberta que convoca a comunidade do Centro Paula Souza (CPS) para a greve geral de 15 de setembro, o SINTEPS promoveu uma live, com participação dos diretores Fernando Salvador e Felipe Chadi, que aprofundou, ponto a ponto, os motivos que levam a categoria a paralisar as atividades, além de explicar o porquê que essa mobilização é decisiva para o futuro dos trabalhadores e trabalhadoras que impactam diretamente os mais de 311 mil estudantes das ETECs e FATECs.
O centro da pauta é o reajuste salarial, que garanta recomposição da inflação do último ano, tendo em vista o ano eleitoral de 2026. Os diretores esclareceram a diferença entre reajuste e recomposição. "Em período eleitoral, o governo não pode dar reajuste acima da inflação, mas pode, sim, recompor a perda inflacionária do período. Se não fez até agora, é porque falta motivação política”.
A greve é a forma de mostrar à sociedade paulista o tamanho da defasagem enfrentada pela categoria e de exigir que o governo estadual reveja suas prioridades orçamentárias antes do prazo de 30 de setembro, data-limite para a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI), que gerencia universidades paulistas e o Centro Paula Souza, encaminhar a proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) para o próximo ano.
Busca por diálogo e espaço
A live também reforçou que a greve não é o primeiro passo, e sim o último recurso depois de meses de tentativa de diálogo com o governo. A pauta da data-base foi apresentada ao Centro Paula Souza ainda em março, mas todas as propostas que envolvem impacto financeiro foram negadas.
"Fizemos o que tinha que ser feito antes de chegar à greve. Apresentamos a pauta, buscamos o diálogo. Como não fomos ouvidos, resta o direito constitucional e legal de paralisar para chamar a atenção e mostra toda a indignação da nossa categoria. O governo precisa rever suas prioridades", destacou Fernando Salvador, presidente do SINTEPS.
Por que a carreira não está nesta pauta, mas seguirá na luta
Um ponto de atenção levantado na live: a pauta desta greve é mais ampla do que a recomposição salarial, mas não inclui a revisão do plano de carreira. Isso porque, por conta da legislação eleitoral e da responsabilidade fiscal, mudanças na carreira não podem ser aprovadas neste ano.
Ainda assim, seguem na mesa itens que não geram impacto orçamentário e que podem, sim, avançar agora: condições de trabalho, direito a ser ouvido e a uma negociação real. A revisão da carreira segue como pauta de extremo interesse e retorna como reinvindicação central em 2027. A construção dessa próxima conquista começa com o engajamento de agora.
Uma greve construída de baixo para cima
A paralisação de 15 de setembro não é um ato isolado e faz parte de um plano de lutas aprovado pelo Conselho Diretor do Sindicato, formado por 58 diretores de base, 19 diretores da direção executiva e 8 diretores regionais. Todos representando as demandas específicas de sua unidade.
Para garantir que a voz de toda a categoria seja ouvida, mais de 140 unidades já têm assembleia agendada diretamente pelo SINTEPS, e mais de 50 receberão visita da diretoria executiva e regional. Como o Centro Paula Souza reúne mais de 300 unidades, o Sindicato reforça o chamado: as unidades que ainda não têm diretoria de base ou visita agendada podem e devem se organizar e podem contar com o apoio do Sindicato. Os canais de comunicação do SINTEPS estão abertos para apoiar no que for preciso.
"A assembleia não é só um espaço para perguntar se a categoria quer greve. É um espaço de convencimento, de mostrar por que precisamos ser ouvidos e a importância de cada colega neste engajamento coletivo", explicaram os diretores. Todo material de apoio está disponível neste link: http://sinteps.org.br/greve.
Mobilização é o que já garantiu conquistas no passado
Na live, o histórico da categoria foi lembrado como prova de que mobilização traz resultado: o atual plano de carreira do Centro Paula Souza foi conquistado após uma greve de mais de 40 dias, em 2014, construída a partir de um processo de mobilização iniciado ainda em 2011.
"Nada nunca veio de graça. Se queremos mudar algo, historicamente, é com a mobilização da base", reforçaram Fernando Salvador e Felipe Chadi, lembrando ainda que o período eleitoral é uma oportunidade concreta de pressionar o governo a se mexer.
Uma categoria só, um só objetivo
Docentes e servidores administrativos do Centro Paula Souza formam uma única categoria de trabalhadores públicos e é como uma só categoria que o SINTEPS convoca a adesão à greve. A paralisação pode, inclusive, ser feita de forma individual em unidades sem organização prévia: o que importa é que cada unidade esteja representada.
O recado da diretoria é direto: converse com os colegas, participe da assembleia da sua unidade e junte-se ao ato. A live ultrapassou 500 visualizações e está disponível no canal de YouTube do SINTEPS.
E mais: confira a íntegra da carta aberta à comunidade do Centro Paula Souza, que também explica os motivos da paralização em 15 de setembro clicando aqui.


