Paralisação de docentes e servidores administrativos das ETECs e FATECs pode afetar o funcionamento de mais de 300 unidades. Entre outras reinvindicações, categoria pede correção inflacionária nos salários
O Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (SINTEPS) confirma a realização de uma greve geral em toda a rede de ETECs e FATECs do estado de São Paulo na próxima terça-feira, 15 de setembro, com um ato marcado para às 14h, em frente à sede do Centro Paula Souza, localizada na Rua dos Andradas, 140. A paralisação foi deliberada pelo Conselho Diretor da entidade, apoiada pela categoria e é o desfecho de um processo de negociação com o Governo do Estado que não avançou desde março.
A categoria reivindica a correção inflacionária nos salários e a abertura de uma negociação concreta sobre a Data-Base 2026. O funcionalismo do Centro Paula Souza recebeu 6% de reajuste em 2023, não teve qualquer reposição em 2024 e recebeu 5% em 2025. Sãs percentuais que, somados, não cobrem a inflação acumulada do período e resultam em perda real de poder de compra dos trabalhadores e trabalhadoras, o que compromete o bem-estar e qualidade de vida.
O SINTEPS pressiona o governo estadual a rever suas prioridades orçamentárias antes de 30 de setembro, data-limite para a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI), pasta responsável pelo Centro Paula Souza e pelas universidades paulistas, encaminhar a proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2027.
"Fizemos o que tinha que ser feito antes de chegar à greve. Apresentamos a pauta, buscamos o diálogo. Como não fomos ouvidos, resta o direito constitucional e legal de paralisar para chamar a atenção e mostrar toda a indignação da nossa categoria. O governo precisa rever suas prioridades", afirma Fernando Salvador, presidente do SINTEPS.
Ano eleitoral não impede recomposição salarial
O sindicato rebate o argumento de que a legislação eleitoral impediria qualquer resposta do governo à pauta. Segundo o SINTEPS, a lei restringe apenas a concessão de reajuste que supere a perda do poder aquisitivo ocorrida no próprio ano, mas não impede a recomposição do que já foi perdido em 2026. "Em período eleitoral, o governo não pode dar reajuste acima da inflação, mas pode, sim, recompor a perda inflacionária do período. Se não fez até agora, é porque falta motivação política", destaca a diretoria do SINTEPS.
Diferentemente de mobilizações anteriores, a pauta da greve de 15 de setembro não inclui a revisão do plano de carreira, por restrições da legislação eleitoral e da responsabilidade fiscal para aprovação de mudanças com impacto orçamentário neste ano. O tema segue, no entanto, como reivindicação central para 2027. Permanecem na mesa itens sem impacto orçamentário, como condições de trabalho e o direito a uma negociação real.
O SINTEPS lembra que o atual plano de carreira do Centro Paula Souza foi conquistado após uma greve de mais de 40 dias em 2014, construída a partir de um processo de mobilização iniciado em 2011. "Nada nunca veio de graça. Se queremos mudar algo, historicamente, é com a mobilização da base. Sempre em prol dos trabalhadores e da educação pública de qualidade", reforçam os diretores.
Documentos de referência:
- Carta Aberta à comunidade do Centro Paula Souza: http://sinteps.org.br/images/comunica/greve/Set26/CARTA%20ABERTA%20A%20COMUNIDADE%20DO%20CENTRO%20PAULA%20SOUZA%2015-09.pdf
- Material de apoio sobre a greve: http://sinteps.org.br/greve


