Paralisação geral ocorreu em cerca de 70 unidades, além de ato em frente ao Centro Paula Souza. Categoria pressiona autarquia a se comprometer com recomposição salarial, vale-alimentação, plano de saúde e política salarial permanente
A greve geral convocada pelo SINTEPS e realizada na última terça-feira, dia 15 de setembro, pelos trabalhadores e trabalhadoras do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS) teve adesão em cerca de 70 unidades em todo o Estado de São Paulo. Em parte delas a paralisação foi total e, em outras, parcial, mas em todas ficou evidente o mesmo sentimento: a insatisfação da categoria com a ausência de reajuste salarial em 2026 e com pautas importantes ainda sem resposta. Ato em frente a sede do Centro Paula Souza também marcou o posicionamento e as reinvindicações da categoria.
A pressão surtiu efeito. Na mesma data, o SINTEPS se sentou à mesa de negociação com representantes do CEETEPS e, ao final da reunião, obteve compromissos concretos em pontos centrais da pauta da Data-Base 2026. Um avanço que o Sindicato classifica como resultado direto da mobilização da categoria e que será acompanhado de perto para garantir que os pontos conversados sejam formalizados e efetivamente garantidos.
Uma mesa aberta pela força da greve
A reunião de negociação contou com dois representantes da diretoria do SINTEPS, dois representantes dos trabalhadores grevistas e três representantes do CEETEPS. O Presidente da autarquia, Prof. Clóvis de Souza Dias, não esteve presente pessoalmente. Representantes da instituição, por meio da assessoria da Presidência, assumiram os compromissos em nome dela e se comprometeram a levar as reivindicações que extrapolam a competência da autarquia diretamente à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e ao Governo do Estado de São Paulo.
Foi a greve, e não a boa vontade espontânea da gestão, que trouxe o Centro Paulo Souza de volta à mesa depois de meses em que itens da pauta eram empurrados de um órgão para outro: nas negociações da Data-Base, a autarquia alegava que a decisão cabia ao Governo; ao procurar o Governo diretamente, o SINTEPS era orientado a negociar com a própria autarquia. Diante do impasse, o Sindicato exigiu, e obteve o compromisso, de que o CEETEPS cumpra o que é de sua obrigação e passe a atuar institucionalmente na defesa de seus trabalhadores perante as instâncias estaduais.
O que foi conquistado na mesa
Os representantes do CEETEPS assumiram, perante o SINTEPS, seis compromissos principais:
1. Recomposição das perdas inflacionárias de 2026. O CEETEPS se comprometeu a encaminhar e defender, junto à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e ao Governo do Estado, a reivindicação de recomposição das perdas inflacionárias sofridas pela categoria neste ano e que prejudicaram a qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras.
2. Política salarial permanente na Lei da Carreira. Ficou assumido o compromisso de defender a criação de uma política salarial permanente para os trabalhadores do Centro Paula Souza, prevista expressamente na legislação da carreira por meio de Lei Complementar, nos moldes do que já existe para USP, Unesp e Unicamp. A proposta do SINTEPS é que o índice aplicado ao Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério sirva de referência para o reajuste da categoria, acabando com a dependência de decisões pontuais de cada governo.
3. Vale-alimentação próprio para todos os trabalhadores. O CEETEPS se comprometeu a realizar os estudos administrativos, jurídicos, financeiros e orçamentários necessários à criação do benefício, que será estendido a toda a categoria, e a considerar seu impacto já na proposta orçamentária de 2027, atualmente em elaboração. O compromisso inclui também defender a inclusão expressa do vale-alimentação na Lei da Carreira.
4. Plano de saúde institucional. O benefício já está autorizado desde 2014, pela Lei Complementar nº 1.240, mas nunca saiu do papel por falta de previsão orçamentária. O CEETEPS assumiu o compromisso de dimensionar o custo do plano e incluir os recursos necessários na proposta orçamentária de 2027, transformando uma autorização de 12 anos atrás em benefício real.
5. Turmas menores como alternativa ao fechamento de cursos. Diante da preocupação do SINTEPS com o fechamento de turmas por baixa procura no vestibulinho, o Sindicato propôs que, antes de suspender cursos com relevância social, econômica ou vocacional para a região, o CEETEPS forme turmas com número reduzido de alunos. A proposta foi recebida positivamente pelos representantes da autarquia, que sinalizaram ser um caminho possível a ser estudado.
6. Continuidade das demais pautas da Data-Base 2026. O CEETEPS se comprometeu a encaminhar às instâncias estaduais competentes as demais reivindicações apresentadas pelo SINTEPS ao longo da negociação.
A luta não para: agora é hora de formalizar
Apesar do avanço, o SINTEPS deixa claro que a mobilização não termina aqui. Os compromissos assumidos na reunião foram verbais, feitos pelos representantes presentes em nome da Presidência. Por isso, o Sindicato protocolou um Memorial detalhado solicitando que o presidente, Prof. Clóvis de Souza Dias, formalize institucionalmente cada um dos pontos discutidos, por meio de Termo de Compromisso ou documento equivalente, além de manter o SINTEPS informado sobre todos os encaminhamentos feitos à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e ao Governo do Estado.
Segundo Fernando Salvador, presidente do SINTEPS, transformar os compromissos em documentos formais, com prazos e responsáveis definidos, é o que vai garantir que a conquista de 15 de setembro não fique apenas no discurso. “A mensagem da mobilização foi clara sobre a insatisfação da categoria. Isso mostra a força da união e a importância da mobilização organizada. Seguiremos cobrando e acompanhando para que cada compromisso assumido na mesa de negociação se transforme em direito garantido”.










