Audiência pública na Alesp chamou a atenção para as reivindicações da categoria na carreira, cujo destino final será a casa legislativa
A greve convocada pelo Sinteps para 17 de março movimentou ETECs e FATECs na capital, interior e litoral. Na grande São Paulo, o ponto alto da mobilização foi a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa (Alesp) pela manhã, organizada pelo mandato da deputada Professora Bebel (PT), a pedido do Sindicato.
O auditório José Bonifácio ficou repleto de trabalhadores do Centro e representantes de outras entidades parceiras. Abrindo a audiência, a deputada lembrou que estamos diante de um governo hostil aos serviços públicos e ao funcionalismo. “O governo Tarcísio de Freitas quer impor a todas as categorias a precarização e a retirada de direitos, mas tem e terá a nossa resistência. O Sinteps está mostrando que o caminho é a luta e tem todo o nosso apoio.”
“Essa não é uma proposta de carreira, e sim de reforma administrativa”, disse Fernando Salvador, presidente do Sinteps, lembrando que o projeto enviado pelo Centro às secretarias de governo é bem diferente da proposta construída pela categoria no Congresso do Sindicato de 2017. Ele pontuou os pontos em que houve avanço no projeto, por pressão do Sinteps, mas ressaltou que há questões fundamentais com as quais a categoria não concorda. Como exemplo, citou a remuneração por subsídio, que extingue direitos históricos, como quinquênios e sexta-parte, e inviabiliza a perspectiva de crescimento na carreira. Também criticou a ausência da jornada docente para os professores, com base em ensino, pesquisa e extensão, e não em projetos, como prevê o projeto.
“Estamos disputando todos os pontos que consideramos ruins no projeto e vamos apresentar emendas quando ele chegar nesta casa. A mobilização da categoria é fundamental”, destacou Fernando.
Clique para conferir carta do Sinteps à comunidade, com os pontos em que houve avanço e com aqueles que queremos mudar. Abaixo, confira a íntegra da fala do presidente do Sinteps na audiência.
A mesa da audiência contou com a presença do coordenador do Fórum das Seis, professor João Chaves, que manifestou apoio à luta por uma carreira digna para os trabalhdores do Centro. O Fórum engloba os sindicatos e entidades estudantis das universidades estaduais paulistas e conta também com a participação do Sinteps. Douglas Izzo, secretário de Finanças da CUT-SP e membro da Apeoesp, e Neusa Santana Alves, diretora do Sinteps, falou em nome da Federação dos Trabalhadores em Educação (FETE-CUT), da qual é vice-presidente, também criticaram o governo Tarcísio pelos ataques contra os serviços públicos e a precarização das carreiras.
Centro enviou representantes
O Centro Paula Souza enviou dois representantes à audiência: o professor Marcelo Neublum Capuano, presidente da comissão responsável pelo plano de carreira, e Vicente Mellone Junior, Coordenador Geral de Gestão de Pessoas. Eles expuseram as linhas gerais da proposta, deixando claro que ela está limitada às regras estabelecidas pelo governo Tarcísio.
A remuneração por subsídios, a ausência da jornada docente, a extinção de cargos de nível médio e de auxiliar docente, os baixíssimos salários pagos aos administrativos, entre outros pontos, foram bastante criticados pelos presentes, nas várias falas que se seguiram.
“Quem ganha 1.500,00 por mês tem urgência e precisa de salários dignos”, disse um técnico-administrativo.
“Sem jornada, vivemos semestre a semestre sem saber o que vai acontecer depois”, destacou uma docente.
“Não aceitamos a retirada de direitos da categoria, como os quinquênios e a sexta-parte”, frisou uma auxiliar docente.
A luta vai prosseguir!
O Sinteps parabeniza as trabalhadoras e os trabalhadores que se mobilizaram neste dia de greve.
Logo após a audiência pública, diretores e militantes do Sinteps percorreram os gabinetes dos deputados e das deputadas, entregando a eles uma carta com as reivindicações da categoria no plano de carreira.
Em algumas cidades do interior, houve conversa com vereadores, como no caso de Araraquara e Bauru, onde os manifestantes conseguiram a aprovação de moções de apoio nas câmaras municipais.
Após a audiência pública, o gabinete da deputada Professora Bebel encaminhou pedido à Secretaria de Gestão e Governo Digital e à Casa Civil, para que recebam o Sinteps em uma reunião mediada, com o objetivo de discutir o plano de carreira.
Fique atento às divulgações e convocações do Sindicato. Só a luta pode trazer conquistas!
Efetivo exercício
Assim como ocorre após todas as greves, o Sinteps já encaminhou ofício ao Centro, solicitando a garantia do efetivo exercício – nenhum desconto salarial ou prejuízo funcional – para todos e todas que participaram da greve em 17/3, mediante reposição. Fique atento às divulgações do Sindicato.

















































