Sinteps questiona e conclama comunidade a barrar. Papel social da escola pública deve ser o parâmetro maior da instituição
Com a realização de novas edições do Vestibular e do Vestibulinho, respectivamente para as FATECs e as ETECs, com vistas ao segundo semestre de 2025, o fantasma do fechamento de cursos volta a assombrar a comunidade. Desta vez, o problema aparece de forma mais aguda nas FATECs. O Sinteps recebeu vários contatos de professores e funcionários preocupados com a não abertura de turmas.
O fechamento de cursos, quase sempre em prejuízo à comunidade, aos professores e alunos, vem se tornando problema recorrente no Centro. Considerando que a instituição não investe na divulgação dos cursos das ETECs e FATECs – o que deveria ocorrer sistematicamente, pois parte da população sequer sabe que são gratuitos e de boa qualidade – e nem garante as condições necessárias para o seu bom funcionamento, não é justo que simplesmente os feche.
Não bastasse isso, a Superintendência do Centro adotou algumas iniciativas atropeladas e sem justificativa em relação ao Vestibular nas FATECs. Com o processo em andamento, a instituição divulgou uma alteração drástica nas regras, especificamente a mudança no número de vagas para cálculo da demanda no final do processo de inscrições. A abertura de inscrições se deu em 7/4/2025 e, cerca de 45 dias após, em 21/5/2025, todos foram surpreendidos com o aviso da mudança nas regras vigentes no atual processo e também nas últimas edições. Entre elas, a desconsideração dos ingressantes pelo Provão Seriado Paulista para efeito do cômputo de inscritos. O Sinteps questionou o Centro por meio de ofício, em 30/5/2025, mas não obteve resposta. A única medida adotada foi a prorrogação do prazo final para as inscrições, de 6/6 para 12/6/2025.
“Nós tiramos leite de pedra para garantir a qualidade dos nossos cursos e, apesar das más condições e da falta de apoio da instituição, conseguimos manter um padrão de qualidade que coloca nossos alunos nos melhores postos de trabalho no mercado, como mostram os índices e as pesquisas ano após ano”, desabafa um docente de FATEC, desolado com a notícia de que a turma matutina de seu curso não seria aberta neste meio de ano. “Nos acenaram com a promessa de que o vestibular será novamente oferecido no final do ano, mas o estrago agora é grande”, lamenta.
“Essa política significa fechar vagas públicas, deixar jovens fora da escola e sem opção para um futuro melhor. Além disso, toda a estrutura montada ao longo dos anos para estes cursos, como os laboratórios e os equipamentos, corre o risco de ficar jogada às traças, sem falar no emprego docente”, critica Silvia Elena de Lima, presidente do Sinteps. “Enquanto todo mundo defende mais vagas de ensino técnico e tecnológico, o Ceeteps está fechando vagas e cursos, o que é um absurdo!”
Sinteps cobra
Em agenda na Assembleia Legislativa de SP em 16/6, diretores do Sinteps encontraram-se com uma equipe da Superintendência do Centro e questionaram sobre o assunto. Os representantes do Centro afirmaram que “nenhum docente de FATEC perderá o emprego ou ficará sem aulas atribuídas por conta de eventuais fechamentos de turmas”. Neste caso, disseram, a instituição está definindo um planejamento para que nenhum docente deixe de ter aulas atribuídas.
O Sinteps cobra um posicionamento claro da Superintendência sobre o assunto, o não fechamento de cursos e a garantia dos direitos da comunidade, estudantes, professores e servidores. Sobre as garantias aos docentes, aguarda o detalhamento deste planejamento.
Os diretores Felipe Chadi e Renato de Menezes Quintino na Alesp
Comunidade deve reagir
Se há ameaça de fechamento de curso na sua unidade, e a comunidade interna e externa considera que isso não deveria ocorrer, o Sinteps orienta os trabalhadores a adotarem algumas iniciativas: produção de abaixo-assinado, coleta do apoio de vereadores/as, prefeito/a e deputados/as da região.
Informe o Sindicato sobre a situação em sua unidade e as iniciativas adotadas. Envie para
Sinteps tem propostas voltadas a valorizar os cursos
Manutenção dos cursos nas ETECs e FATECs – O Ceeteps deverá promover a ampla divulgação (jornais, TVs, revistas, rádios, mídias sociais etc.) dos cursos, das datas de vestibular e vestibulinho, das isenções, sobre a gratuidade e qualidade de ensino nas ETECs e FATECs, proporcionando material de divulgação para as unidades, bem como recursos para o trabalho de divulgação local.
Comunidade deve ser chamada a debater o problema – Os critérios para possíveis fechamentos de cursos deverão ser amplamente divulgados, ser acompanhados por um período de três anos e, neste tempo, a comunidade escolar deverá encontrar soluções para melhorar os indicadores dos cursos em acompanhamento. A decisão de fechamento do curso se dará pelo Conselho de Escola ou pela Congregação, se ETEC ou FATEC, respectivamente.
Requisitos sociais – O papel social da escola pública deve ser o norteador para o Ceeteps no estabelecimento dos critérios de fechamento, bem como para os critérios de ingresso. Com o oferecimento de cursos técnicos na rede estadual, queremos que os mesmos critérios de lá sejam garantidos no Ceeteps, seja nas ETECs ou FATECs: Para turma de 40 vagas, por exemplo, mínimo de 20 inscritos.


