Mesa de abertura, palestras, teses e moções apontaram desafios da conjuntura e importância da unidade das categorias
Cerca de 70 pessoas, entre delegados, observadores e convidados, participaram do 9º Congresso do Sinteps, realizado de 26 a 30 de agosto de 2025. Representantes de unidades de várias partes do estado – professores, técnico-administrativos e auxiliares docentes – participaram intensamente dos debates, apresentaram propostas e saíram do evento fortalecidos para impulsionar na categoria as lutas que virão.
Os debates culminaram na aprovação de um robusto plano de lutas, que reúne bandeiras gerais – defesa da soberania e da democracia do nosso país, da preservação ambiental e dos serviços públicos, pelo fim da escala 6X1, contra quaisquer tipos de preconceitos e opressões, entre outros – e reivindicações específicas da categoria, como a aprovação de um plano de carreira que contemple os anseios dos trabalhadores do Centro, a garantia de benefícios dignos, a defesa dos cursos e das vagas públicas, manutenção e infraestrutura de qualidade para as unidades etc.
O plano de lutas será debatido nas próximas reuniões do Conselho Diretor (CD) do Sinteps, com a apresentação de indicativos que darão concretude às bandeiras aprovadas no Congresso.
Abertura celebrou unidade
“As lutas e conquistas que alcançamos se alicerçam em vários bases. Além da mobilização da nossa categoria, que é fundamental, nos fortalecemos quando lutamos com outras categorias do funcionalismo, com as entidades estudantis e também com parlamentares que nos defendem”, disse a atual presidente do Sinteps, Silvia Elena de Lima, ao apresentar os participantes da mesa de abertura do 9º Congresso.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SP), Raimundo Suzart, lembrou que o Brasil vem sofrendo ataques à sua democracia e soberania, diante dos tarifaços e ameaças que partem do governo de Donald Trump. “No estado de São Paulo, temos um governo hostil aos nossos direitos, que agride os serviços públicos, entrega o patrimônio público à iniciativa privada e arrocha salários e direitos do funcionalismo”, destacou. Suzart apontou uma contradição: “Curioso ver que os grandes empresários que se beneficiam dos recursos públicos e vivem defendendo cortes na educação pública, como vocês sentem na pele nas ETECs e FATECs, são os mesmos que pedem mão de obra qualificada para suas empresas.”
Falando em nome do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), Juliano Medeiros, ex-presidente nacional do partido, lembrou as lutas gerais que movimentam o cenário nacional, como o projeto de isenção de imposto de renda aos salários até R$ 5 mil e taxação dos supersalários, o fim da escala 6X1 e outros. “Todas essas lutas se entrelaçam com as reivindicações mais específicas das categorias, pois beneficiam o conjunto da classe trabalhadora”, argumentou.
José Luís Pio Romera, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), falou em nome do Fórum das Seis, instância que agrupa os sindicatos e as entidades estudantis das três universidades estaduais paulistas e do Centro Paula Souza. “Ao longo de mais de três décadas de existência do Fórum, o Sinteps sempre foi uma entidade presente nas lutas em defesa da educação, e por isso fazemos questão de saudar este Congresso e nos colocar à disposição das lutas nas ETECs e FATECs”, disse.
Representando o STU na mesa, Elisiene Lobo reforçou as palavras do companheiro e manifestou preocupação com a conjuntura política. “Vivemos um período histórico de ascensão da extrema direita, que ataca os trabalhadores e os serviços públicos. Nossa unidade é fundamental neste momento.”
Representando o Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp), Claudio Roberto Ferreira Martins manifestou orgulho por ser egresso de uma das FATECs do Centro. “A qualidade do trabalho de vocês é indiscutível, mesmo com tantos cortes de recursos, arrocho salarial e direitos confiscados. Contem com a nossa entidade para prosseguir lutando e conquistando.”
Márcio Moretto, presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp), frisou a necessidade de atuação conjunta das entidades, em meio à reforma tributária em curso, para garantir o financiamento adequado para as universidades estaduais paulistas e o Centro Paula Souza. Lembrou também a iminência de uma reforma administrativa, em debate no Congresso Nacional, tópico que foi citado por vários dos oradores como um dos desafios centrais do próximo período.
Nilcea Fleury, presidente da Federação Estadual dos Trabalhadores na Educação Pública no Estado de SP (FETE-SP), comentou os muitos ataques do governo Tarcísio à educação – como a redução dos investimentos na educação pública, a plataformização, a militarização das escolas estaduais e os baixos salários. “Aqui neste congresso vocês estão plantando novas sementes, que vão desabrochar em lutas e conquistas para os trabalhadores e os estudantes”, projetou.
Júlia Monteiro e Wesley Gabriel Silva, respectivamente dirigentes da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES) e da União Estadual dos Estudantes (UEE), reforçaram a necessidade de unificar trabalhadores e estudantes em defesa das ETECs, FATECs e do conjunto da educação pública. Júlia lembrou que, em 2018, o Sinteps apoiou as entidades estudantis na Assembleia Legislativa, culminando na aprovação de uma política de permanência estudantil para o Centro Paula Souza, mas que nunca foi colocada em prática pelo governo. “Tarcísio diz que investe nas ETECs e FATECs, mas isso não é verdade, pois faltam servidores, faltam benefícios de permanência estudantil, faltam salários dignos”, disse a jovem, que é egressa da ETEC Aristóteles Ferreira. Wesley Gabriel fez coro com ela, lembrando que a política do governador é marcada pelas privatizações e isenções de impostos para grandes empresas, “para entregar o patrimônio público aos amigos que investiram sua campanha”.
Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep), João Gabriel Guimarães Buonavita lembrou que muitos dos governadores, e não só o atual, tentaram sucatear e até acabar com a educação pública no Centro, mas foram impedidos pela comunidade. “Fico feliz de ver tantos jovens trabalhadores aqui presentes, pois isso sinaliza uma renovação geracional que dá força e impulsão à resistência.”
Conjuntura e Iamspe foram temas de palestras
José Luís Pio Romera, do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), fez uma palestra sobre conjuntura durante o 9º Congresso. Ele considera que 2013, ano em que a revolta dos estudantes contra o aumento das tarifas de ônibus em São Paulo desencadeou grandes mobilizações no país, é um marco para entender a conjuntura atual. O palestrante citou o golpe contra a presidente Dilma Roussef, em 2014, como preparação para a reforma trabalhista reclamada pelo empresariado e colocada em prática pelo governo de Michel Temer. “E é também neste período que a extrema direita começa a se organizar, culminando na eleição de Jair Bolsonaro em 2018, um governo desastroso para a classe trabalhadora, responsável por grande parte das milhares de mortes na pandemia.”
A ofensiva do governo Trump contra o Brasil, na visão de Pio Romera, é parte da tentativa de recolocar os Estados Unidos novamente à frente da economia mundial, “nem que isso implique deixar a economia mundial em crise”. Para ele, “impedir a volta da extrema direita ao poder no Brasil é tarefa central dos movimentos sociais”.
José Luiz Moreno, dirigente da Apeoesp e membro da Comissão Consultiva Mista (CCM) do Iamspe, falou sobre os desafios do órgão. Ele se colocou à disposição do Sinteps nas reivindicações da entidade: reabertura da possibilidade de adesão dos trabalhadores celetistas (maioria do Centro) ao Iamspe, retomada de atendimento em hospitais descredenciados e ampliação da rede de atendimento no estado.
Moreno lembrou que há anos o governo de São Paulo não executa sua contrapartida no financiamento do Instituto, conforme estabelecido na lei, o que prejudica seriamente a qualidade do atendimento. A diretoria do Sinteps, que já compõe a CCM na região de Catanduva, se comprometeu a estreitar a participação na Comissão Central e em outras regionais, de forma a contribuir mais na luta e trazer o diálogo para esta importante pauta.
Moções e contribuições
O 9º Congresso do Sinteps aprovou um conjunto de moções e contribuições, que tratam de temas gerais e específicos da categoria: contra a flexibilização da legislação ambiental, contra a venda e entrega de terras públicas pelo governo estadual, apoio ao povo palestino e condenação ao estado de Israel por crime de genocídio, pela valorização dos técnico-administrativos do Centro, pelo cumprimento da Lei do Piso do Magistério nas ETECs, contra a retirada do direito à insalubridade de parte dos trabalhadores do Centro, sobre a modalidade EAD nas FATECs, entre outras.
A íntegra da tese aprovada (“Sinteps sempre na luta”), as moções, as contribuições e o plano de lutas serão publicados no site da entidade e divulgados em publicação especial em breve




























