Notícias

Violência contra professores é um ataque a democracia

Artigo ‘Sempre na Luta’ 002/2026 - Violência contra professores é um ataque a democracia

Toda vez que um professor é ameaçado, intimidado ou censurado, não é apenas um trabalhador que sofre violência. É a escola pública que é atacada. É o direito de ensinar e aprender que é violado. É a democracia que perde espaço para o medo.

A violência contra docentes deixou de ser um conjunto de episódios isolados para se tornar um grave problema de saúde do trabalhador e um ataque sistemático à educação pública. Pesquisa do Centro do Professorado Paulista (CPP), realizada com 1.144 professores, revela que 65% dos docentes já sofreram algum tipo de agressão no ambiente escolar. São agressões verbais, intimidações, ameaças de morte, assédio moral, violência psicológica e violência física, que deixam marcas profundas na saúde de quem dedica sua vida à educação.

Entretanto, uma das formas mais perversas de violência é a censura. O Observatório Nacional da Violência contra Educadoras e Educadores (ONVE-UFF) aponta que 61% dos professores da educação básica e 55% dos docentes do ensino superior já sofreram perseguição ou censura. Esses ataques incluem gravações clandestinas de aulas, exposição em redes sociais, denúncias infundadas, assédio jurídico, intimidações e tentativas de impedir o debate de determinados temas em sala de aula.

Essa violência se intensifica durante os períodos eleitorais. Segundo o ONVE, 73% das perseguições estão relacionadas a questões políticas, seguidas por debates sobre gênero e sexualidade (53%), religião (48%) e negacionismo científico (41%). Em momentos de polarização, professores passam a ser tratados como adversários ideológicos quando, na verdade, exercem um direito garantido constitucionalmente: ensinar, pesquisar, promover o pensamento crítico e formar cidadãos.

Não podemos aceitar que a sala de aula seja transformada em um espaço de vigilância. A liberdade de cátedra não é um privilégio do professor; é uma garantia da sociedade. Quando docentes passam a ensinar com medo, instala-se a autocensura. O prejuízo não recai apenas sobre quem sofre a perseguição. Perdem os estudantes, que deixam de ter acesso a uma formação crítica e plural, e perde toda a sociedade.

Mas a violência não termina na agressão ou na censura. Em muitos casos, ela continua dentro da própria instituição.

São inúmeros os relatos de professoras e professores que, após sofrerem ameaças ou perseguições, encontram pouco ou nenhum apoio da gestão. Muitos são orientados a "não expor a instituição", "evitar desgastes" ou "resolver a situação internamente". Essa postura transforma a vítima em responsável pelo problema e caracteriza uma grave violência institucional. Quando a imagem da instituição vale mais do que a proteção de seus trabalhadores, o silêncio passa a proteger os agressores.

As consequências desse abandono são evidentes. Professoras e professores estão entre as categorias profissionais que mais se afastam do trabalho por problemas relacionados à saúde mental. Burnout, ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático tornaram-se cada vez mais frequentes em uma categoria submetida à violência, ao assédio e à precarização das condições de trabalho.

Os impactos ultrapassam a vida dos docentes. Estudos demonstram que a violência dentro e nas proximidades das instituições de ensino reduz em 5,1% a probabilidade de conclusão do ensino médio e em 6,9% a do ensino superior. Quando um professor é silenciado, toda a comunidade escolar é atingida. O medo substitui o diálogo, a desconfiança enfraquece o trabalho coletivo e a qualidade da educação pública é comprometida.

Diante dessa realidade, o silêncio jamais pode ser uma alternativa. Denunciar a violência não significa atacar a instituição; significa defender a educação pública e impedir que novos casos ocorram. Cada ameaça precisa ser registrada. Cada episódio de censura deve ser denunciado. Cada trabalhador vítima de violência deve receber acolhimento, apoio psicológico, assistência jurídica e proteção institucional.

Ao mesmo tempo, é indispensável fortalecer a organização coletiva da categoria. A história demonstra que nenhum direito dos trabalhadores foi conquistado pela omissão. Sempre foi a mobilização coletiva que garantiu proteção, valorização profissional e defesa da democracia. O mesmo vale para o enfrentamento da violência contra docentes.

É papel das entidades sindicais acolher, orientar, denunciar e lutar para que nenhum professor enfrente sozinho a violência, a perseguição ou a censura. Defender a liberdade de ensinar, combater todas as formas de intimidação e exigir condições dignas de trabalho é defender a própria educação pública.

Quem agride um professor agride toda a comunidade escolar. Quem censura um docente ataca o direito ao conhecimento. E quem se cala diante da violência fortalece a intolerância. Nossa resposta deve ser coletiva: acolher, denunciar, organizar e resistir. Porque defender professoras e professores é defender a escola pública, a democracia e o futuro da educação brasileira.

FILIA-SE AO SINTEPS!

A gente não quer só comida

A vida não é só trabalho! Aproveite os convênios com descontos exclusivos para lazer, saúde e educação.

Lazer

Lazer

Hotéis, pousadas e passeios para toda a família

Leia mais
Educação

Educação

Graduações, pós, cursos livres e de idiomas em várias áreas

Leia mais
Saúde

Saúde

Descontos em convênios médicos, odontológicos e farmácias

Leia mais Saúde
Home

Horário de funcionamento

Segunda à Sexta 
09h00 ~ 18h00

Menu Serviços

Menu Benefícios

Image

Meu portal