O governador Tarcísio de Freitas enviou três projetos para a Assembleia Legislativa na tarde de 30/4. Um deles prevê reajuste de 5% para o funcionalismo, aí incluído o pessoal das ETECs e FATECs; outro anuncia o pagamento de bônus resultado aos policiais; e um terceiro estabelece a correção do salário-mínimo paulista para R$ 1.804,00.
Vamos por partes:
- O reajuste salarial de 5% é um insulto ao funcionalismo. Desde que tomou posse, o governo Tarcísio concedeu 6% em 2023 e, agora, os 5%, totalizando pouco mais que 11%. Ocorre que vimos acumulando perdas enormes nos últimos anos. Se considerarmos o período de 2014 a 2024, por exemplo, temos uma inflação (IPCA) em torno de 86%. Neste intervalo de tempo, tivemos reajuste salarial somente em 2018 (3,5% para os administrativos e 7% para docentes e auxiliares docentes), em 2022 (10%), em 2023 (6%) e, agora, em 2025 (5%).
O texto integral da proposta (PLC 12/2025) pode ser conferido aqui.
Para efeitos de comparação, desde que tomou posse, o governador Tarcísio sancionou os seguintes reajustes:

- O anúncio do bônus aos policiais e o estridente silêncio em relação ao bônus para o Centro Paula Souza é um enorme desrespeito. Para a Secretaria Estadual de Educação, o pagamento já foi feito em 25/4. Vamos ser humilhados como no ano passado, com o pagamento sendo feito em novembro? CADÊ O NOSSO BÔNUS, TARCÍSIO?
- O reajuste no salário-mínimo paulista – 40,5% de correção desde a posse de Tarcísio – pode ser traduzido pela velha expressão “fazer bondade com o chapéu alheio”. O impacto da medida é quase que totalmente no setor privado, conforme está disposto no texto da lei, que pode ser acessado aqui
É importante destacar:
- O ano de 2024 bateu recorde de arrecadação tributária estadual, segundo dados da própria Secretaria Estadual de Fazenda e Planejamento de São Paulo. Foram R$ 275 bilhões, 8,8% acima da inflação do ano anterior, como mostra matéria no portal Poder360. Ou seja, o governador tem muito dinheiro em caixa, mas lhe falta vontade política para fazer jus ao discurso de valorização dos profissionais;
- Desde 2018, o valor do vale-alimentação (“vale-coxinha”) não tem nenhum tipo de reajuste em São Paulo, o estado mais rico da federação! É urgente a criação de um vale próprio para os trabalhadores do Centro Paula Souza, que acompanhe o custo de vida em nosso estado e seja praticado aos moldes praticados nas universidades estaduais;
- O governo estadual, até o momento, não sinalizou o cumprimento do pagamento do Piso Nacional do Magistério (que teve novo reajuste em janeiro/2025, definido pela Portaria nº 77/2025). Os docentes de nível médio que recebem abaixo do piso tiveram seu salário completado com abono salarial nos anos anteriores, ou seja, com desvantagem. Nós, do Sinteps, defendemos o reajuste previsto no piso como parâmetro para TODAS as categorias de trabalhadores do Centro Paula Souza. É urgente a criação de uma política salarial da instituição!
Nossa reivindicação é de 14,98% já e plano de reposição de perdas
Na Pauta de Reivindicações que o Sinteps entregou no início de março à Superintendência do Centro Paula Souza e ao governo, a reivindicação salarial para este ano é de 14,98% para todos e plano para reposição de perdas anteriores. Os 14,98% correspondem à soma do reajuste do Piso Nacional do Magistério em 2025 (6,27%) + o reajuste não concedido no ano anterior (8,2%). Chega de desrespeito, Tarcísio!
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Sinteps denuncia
Confira a participação do Sinteps na audiência pública na Assembleia Legislativa de SP, organizada pelo deputado Carlos Gianazzi (PSOL-SP) em 28/4/2025, que discutiu o desmonte da educação pública no estado. Pela diretoria executiva do Sinteps, falou Felipe Chadi, que denunciou as más condições das ETECs e FATECs e cobrou melhorias para os trabalhadores e os estudantes.


