As Etecs precisam de investimento, valorização profissional e condições dignas de ensino. Repudiamos a inversão de prioridades que coloca a execução do Hino Nacional no centro das preocupações institucionais enquanto necessidades fundamentais da comunidade escolar permanecem desatendidas.
A obrigatoriedade da execução do hino nacional semanalmente em todas as escolas estaduais, após a sanção da Lei nº 18.426, de 13 de março de 2026, coloca a realidade escolar em choque com o que foi proposto na lei, que objetiva o “resgate dos valores cívicos do patriotismo”.
O compromisso com o Brasil se realiza na garantia do direito à educação, no respeito aos trabalhadores e na formação crítica dos estudantes. Entoar o hino não recompõe salários, não contrata trabalhadores e não recupera instalações deterioradas. A formação cidadã exige conhecimento, participação democrática e compreensão das desigualdades sociais visando a sua superação. Conferir centralidade a cerimônias cívicas, diante de tantos problemas estruturais, merece nosso questionamento firme. Cabe ao governo do estado de São Paulo e ao Centro Paula Souza assumir suas responsabilidades e apresentar respostas concretas às demandas de quem estuda e trabalha nas escolas públicas.
Entre essas demandas estão a recomposição dos salários e a atualização do Plano de Carreira, medidas indispensáveis para enfrentar a desvalorização profissional. A falta de professores e funcionários exige concursos públicos suficientes, pois sobrecarrega equipes, provoca adoecimento dos profissionais e compromete o atendimento aos estudantes. Também é necessário assegurar investimentos sustentáveis e contínuos na manutenção dos prédios, na modernização dos laboratórios e na aquisição de equipamentos adequados à formação técnica. Bibliotecas desatualizadas limitam o acesso ao conhecimento e precisam integrar uma política consistente de fortalecimento do ensino. Embora essas dificuldades variem entre as unidades, seu enfrentamento deve orientar as decisões institucionais. Cobrar qualidade sem oferecer condições para alcançá-la transfere aos trabalhadores uma responsabilidade que pertence à gestão. A educação pública exige recursos, planejamento e valorização permanente de seus profissionais.
É igualmente urgente ampliar a divulgação dos cursos e das vagas, aproximando as Etecs da população, e enfrentar o fechamento de turmas e cursos, que restringe oportunidades educacionais. A suspensão da divisão de turmas prejudica atividades práticas e precisa ser revista considerando as condições dos laboratórios e as necessidades de aprendizagem. Essas decisões exigem participação efetiva e maior autonomia da comunidade escolar, cujo conhecimento da realidade deve orientar a organização do ensino. Professores, funcionários e estudantes precisam ser ouvidos e respeitados. Nossa cobrança é objetiva: salários dignos, equipes completas, infraestrutura adequada e gestão democrática. É inaceitável relegar essas necessidades a segundo plano para privilegiar rituais, enquanto caminhamos para a discussão de uma nova Lei Orçamentária Anual que não prevê a realização dos pontos levantados pela realidade. O respeito ao país começa pelo compromisso concreto com os direitos de quem constrói diariamente a educação pública.


