Sinteps cobra CD do Centro imediata divulgação das matrizes curriculares. Autorização de EAD eleva grau de preocupação

O Sinteps está cobrando do Conselho Deliberativo (CD) do Centro Paula Souza a imediata divulgação das matrizes de todos os cursos presentes no Vestibulinho 2019, para que os professores possam saber o que vai acontecer ANTES da atribuição de aula.

 

Na semana anterior, o Sindicato entregou à direção do Centro um documento intitulado “Manifesto do Sinteps em defesa da qualidade dos cursos e dos direitos da comunidade escolar”. Nele, há uma avaliação da reforma do Ensino Médio, aprovada pelo Congresso Nacional e transformada em lei pelo governo Temer (Lei 13.415/2017), sem nenhum debate com a sociedade. Para ser implantada, a reforma necessita da aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), conjunto de orientações para nortear os currículos, o que ainda não aconteceu. O Centro Paula Souza, no entanto, vem se antecipando e implantando a reforma nas ETECs, como fica claro nos materiais de divulgação do Vestibulinho 2019.


Como mostra o texto do Manifesto do Sinteps, estão sendo oferecidos cerca de 127 novos cursos (M-Tec - Ensino Médio com Habilitação/Qualificação Profissional), que sinalizam como será o novo ensino médio/técnico do Centro nos próximos anos. Os cursos atuais (Ensino Médio comum, integrados/ETIM, técnicos etc.) ainda serão oferecidos para 2019, mas não se sabe o que ocorrerá depois disso. Os “M-Tec” possuem carga reduzida (máximo de 3.000 horas), em um único período.


Em todos os cursos oferecidos no Vestibulinho 2019, sejam novos ou antigos, NÃO SE SABE QUAIS SÃO AS MATRIZES CURRICULARES.


O Sinteps considera truculenta a postura da administração do Centro, de ocultar as matrizes, pois tira dos professores e dos futuros estudantes o direito de saber o que exatamente está sendo ofertado. Os professores, inclusive, dependem destas informações para organizar sua vida funcional e pessoal.


Clique aqui para conferir a íntegra do Manifesto

 

Até 30% em EAD

A pretexto de regulamentar aspectos que estavam “indefinidos” após a aprovação da reforma do Ensino Médio pelo governo Temer, a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou a possibilidade de que até 20% da carga horária do ensino médio possa ser ofertada à distância. O percentual pode chegar a 30% nos cursos noturnos. A decisão do CNE ainda precisa ser homologada pelo ministro da Educação para entrar em vigor.


O texto da resolução indica que o percentual à distância se aplique “preferencialmente”, sobre o conteúdo diferenciado do ensino médio: após a implantação da reforma, cerca de 60% da carga horária será comum (a BNCC, que apresenta como obrigatórias somente as disciplinas de Português e Matemática) e 40% será formada pelos chamados itinerários formativos.


Até então, o ensino à distância era permitido e regulamentado apenas para algumas áreas da graduação e em cursos de especialização após o ensino superior.


A regulamentação sobre o EAD no ensino médio era uma cobrança das grandes empresas privadas que atuam no setor, interessadas neste rico filão do “mercado” da educação.


“Essa decisão é uma aberração que afetará a formação cidadã dos nossos estudantes”, denunciou Heleno Araújo,presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).