URGENTE: Sem qualquer discussão com a comunidade, CETEC lança novas propostas para o Ensino Médio no Centro de acordo com a BNCC!

Da forma como está habituada a tratar a comunidade acadêmica e a sociedade que utiliza os serviços prestados pelas ETECs e FATECs, a Superintendência do Centro Paula Souza está gestando mais um duro golpe contra a instituição.


Sem qualquer discussão com os trabalhadores e os estudantes, a Unidade do Ensino Médio e Técnico (CETEC) tornou público um documento intitulado “Proposta do Centro Paula Souza – Base Nacional Comum Curricular (BNCC)”, no qual apresenta as competências e as habilidades que servirão como “base” para a estruturação de componentes curriculares da BNCC do Ensino Médio na instituição em 2019. (clique aqui para conferir)


Diz o texto: “É importante destacar que a disposição dos componentes curriculares nas séries, bem como suas cargas horárias, no caso do Ensino Médio com Itinerários Formativos, pode variar conforme as especificidades e as necessidades identificadas durante o desenvolvimento curricular, no processo de estruturação do novo Ensino Médio, composto por uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e uma Parte Diversificada (PD), direcionada ao desenvolvimento de itinerários formativos ‘vocacionados’ para uma Formação Profissional ou para áreas do conhecimento científico.”


O documento não apresenta quantidade de aulas por disciplina, mas indica que os cursos podem ter um total de 3.000 horas, o que significaria uma drástica redução em relação aos cursos integrados atuais, que giram em torno de 4.500 horas/aula, com variações.


Sem reação e luta, o que vem por aí é um desastre evidente: empobrecimento da formação dos jovens, redução do número de aulas para os docentes, com possibilidade objetiva de perda do emprego.

 

Relembrando 1: Como o ataque começou

No final de 2016, o Brasil assistiu a uma sequência de horrores, gestados no “novo” governo que se instalou em Brasília. A reforma do Ensino Médio, baixada por medida provisória (MP 746/2016) a toque de caixa – sem nenhum debate com os trabalhadores da educação, entidades acadêmicas e a sociedade – foi um dos primeiros.


O Sinteps somou-se às entidades que, na época, manifestaram seu repúdio às alterações impostas pela MP, que apontam para uma formação educacional cada vez mais aligeirada e comprometida com as exigências do mercado, na contramão da formação de cidadãos plenos, críticos e autônomos. A entidade participou de atos e manifestações contra a medida, inclusive em Brasília, mas a reação não foi suficiente para impedir a aprovação da reforma pela Câmara dos Deputados. Após a canetada final do presidente Temer, a MP 746/2016 transformou-se na Lei 13.415/2017.


A reforma prevê alterações profundas na estruturação dos cursos e em seus currículos, enxugando conteúdos e definindo que parte do curso será destinada a áreas eletivas de escolha do aluno: I – linguagens e suas tecnologias; II – matemática e suas tecnologias; III – ciências da natureza e suas tecnologias; IV – ciências humanas e sociais aplicadas; V – formação técnica e profissional. 


Estabelece, assim, a oferta de uma “escola pobre para os pobres”, deixando aos que podem pagar a alternativa da escola privada, retrocedendo em, pelo menos, duas décadas no debate educacional do país. 


A implementação efetiva da reforma depende da entrada em vigor da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), conjunto de orientações que norteia os currículos e que está em vias de ser aprovada pelo governo.

 

Relembrando 2: Cursos “piloto” foram primeiro passo no Centro

Afoito para implementar as medidas previstas na reforma o quanto antes, o Centro Paula Souza começou a se movimentar já em 2017, muito antes que surgisse a proposta de BNCC do governo. Em outubro passado, as unidades foram orientadas a solicitar “turmas piloto” para o primeiro semestre de 2018, uma espécie de laboratório para implantar a reforma em definitivo a partir de 2019. Como de hábito no Centro, tudo feito às pressas, sem qualquer debate com os trabalhadores e estudantes da instituição.


O Sinteps fez ampla campanha para que a comunidade rejeitasse os tais cursos piloto, que acabaram sendo aceitos por alguns diretores. O retrocesso era evidente: um dos cursos propostos, por exemplo, na área de Administração, deixava de ter as atuais 4.320 horas/aulas e previa apenas 3.600 horas.

 

Comunidade deve reagir agora!

A implantação da reforma – como ficou bastante claro nos “cursos piloto” deste início de ano e, agora, com a “BNCC do Centro” – ataca ferozmente a qualidade dos cursos oferecidos pelo Centro Paula Souza. A redução da quantidade de aulas das disciplinas levará ao enxugamento do quadro de docentes e acarretará em perda sem precedentes na qualidade de ensino para os discentes, com prejuízos provavelmente irreparáveis. Além disso, os períodos de aula reduzidos sinalizam com a “desobrigação” da instituição em oferecer merenda aos estudantes.


O Sinteps convoca os trabalhadores a dizerem NÃO à “BNCC do Centro” e a exigir a manutenção dos cursos nos moldes atuais, defendendo a história de qualidade construída pelas ETECs ao longo de décadas de existência e lutando contra o desmonte e o sucateamento dos nossos cursos. Fique atento às convocações do Sindicato. Só a nossa reação pode virar este jogo!

 

Ato em 5/9: EEs e ETECs contra a reforma do EM

Organizações estudantis convocam para uma manifestação no dia 5/9, a partir das 9h, no vão livre do MASP, na Av. Paulista, em São Paulo. Eles convidam professores, estudantes e funcionários a paralisar neste dia e engrossar a manifestação.

 

Clique aqui para conferir o evento

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