Reforma da Previdência: Capitalização proposta por Bolsonaro criará multidões de indigentes, alerta economista. Participe de pesquisa online do Sinteps

O Sinteps elaborou um formulário para que os trabalhadores do Centro Paula Souza falem sobre sua disposição em lutar contra a reforma da Previdência e participar das atividades convocadas pelas centrais sindicais. O prazo para participação é até o dia 14/02.


Acesse em https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfuK5-2FqxSFMOiNrrDGYR3TaCr2gX19nSDPjwwCzrtaCDc4A/viewform 

 

O que está em jogo


As principais propostas que o governo Bolsonaro começa a divulgar para a reforma da Previdência mostram que estamos diante de um ataque sem precedentes aos direitos da população trabalhadora: tempo mínimo de contribuição de 40 anos para obter os valores integrais; idade mínima de 65 anos para homens e mulheres; implantação do sistema de capitalização (o trabalhador contribui diretamente aos bancos); corte de benefícios como auxílios doença e acidente; possibilidade de benefícios menores do que um salário mínimo etc.


O regime de capitalização já é conhecido em países como Chile, Colômbia, Peru e México. Os resultados têm sido catastróficos para a população e agora, muitos anos depois e com milhões de idosos abandonados à própria sorte, os governos destes países começam a estudar medidas que garantam um mínimo de dignidade à população.


A denúncia é feita pelo professor de economia da Unicamp, Eduardo Fagnani, em entrevista publicada no portal da CUT. “O regime de capitalização vai colocar idosos brasileiros na mesma situação de miséria de mexicanos e colombianos, onde 7 em cada 10 trabalhadores correm o risco de não se aposentar”, diz.Na Colômbia, cerca de 80% dos idosos não recebem qualquer tipo de proteção assistencial.


“É isso que queremos para o Brasil? Os grandes bancos querem ganhar o máximo possível em curto prazo e não se importam se o futuro de milhões de trabalhadores será a indigência”, prossegue Fagnani. Ele ressalta que a elite brasileira jamais aceitou as conquistas sociais e de redistribuição de renda que a Constituição de 1988 garantiu e, por isso, quer extinguir o direito à proteção na velhice e outros direitos.

 

Déficit da Previdência é fake News


Para Fagnani, o déficit da Previdência é a maior fake news já produzida no país. Ele diz que ninguém está preocupado em achar soluções porque o problema não existe.Segundo o economista, o país perde R$ 500 bilhões por ano em sonegação geral e o governo dá em isenções fiscais outros R$ 400 bilhões, além de R$ 400 bilhões em juros pagos a bancos.


“Por que o governo não vai atrás desse dinheiro? São R$ 1 trilhão e 300 bilhões ao ano. Não precisaria o Paulo Guedes [ministro da Economia] fazer a reforma para economizar R$ 1 trilhão em 10 anos. Dizer que o caixa da Previdência é o grande problema do país não tem consistência técnica”.


Fagnani conclui: “O país precisa é crescer a economia, aumentar a receita, a oferta de empregos formais e o faturamento das empresas”, conclui o professor de economia da Unicamp.

 

Mobilizar é o caminho


As centrais sindicais brasileiras estão organizando uma agenda de mobilização contra as propostas de reforma da Previdência. No dia 20 de fevereiro, às 10h, na Praça da Sé, está marcada uma plenária nacional, com previsão de caravanas de todo o país. O Sinteps estará presente!