Ceeteps se omite na discussão da BNCC. Comunidade deve dizer NÃO à reforma do ensino médio e exigir o debate nas ETECs

A Superintendência do Centro Paula Souza optou por ignorar o debate nacional sobre a proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio, marcado para 2/8. Trata-se do “Dia D da BNCC”, convocado pelo Ministério da Educação (MEC).

O objetivo, segundo os organizadores, é que os professores discutam e façam sugestões à BNCC, documento que deve nortear o que será ensinado em sala de aula após a implantação da reforma do ensino médio estabelecida pela Lei nº 13.415/2017, aprovada a toque de caixa pelo Congresso Nacional, a pedido do governo Temer, no início de 2017.


Embora seja responsável por uma grande rede de escolas técnicas espalhadas pelo estado de São Paulo, diretamente atingidas pela reforma do ensino médio, a Superintendência do Ceeteps optou por promover um simulacro de debate, indicando que apenas alguns poucos professores respondam ao já limitadíssimo questionário proposto pelo MEC.


O debate sobre a Base Nacional Comum Curricular é decisivo, pois a implantação da reforma do ensino médio só poderá se dar no ano seguinte à aprovação definitiva da BNCC, o que ainda não ocorreu.


O Sinteps indica aos professores das ETECs que rejeitem essa farsa e exijam a realização de um dia de debates sobre a BNCC o quanto antes. Essa posição deve ser exposta à direção da unidade, se possível formalmente (veja sugestão de texto a seguir).

 

O que está em jogo

Ao propor a realização do “Dia D”, o governo Temer tenta ganhar o apoio dos professores, setor considerado essencial para emplacar de vez a reforma. Nos materiais divulgados pelo MEC para subsidiar os debates nas escolas, os professores são chamados a opinar de forma burocrática e limitada às consultas sobre se consideram “suficientes” cada conteúdo proposto nas diversas áreas. Não há espaço para críticas e questionamentos mais profundos sobre a reforma e seu caráter. Cumpre destacar que o itinerário formativo específico da educação profissional sequer é apresentado no documento divulgado pelo MEC.

 

Petição popular

Entidades sindicais e educacionais organizaram uma petição popular, reivindicando a revogação da reforma do ensino médio e rejeitando a BNCC. Para assinar, acesse:

https://peticaopopular.com.br/view.aspx?pi=BR84381 

 

Sugestão de texto para encaminhar à direção de sua unidade

Converse com os colegas e discuta a importância de rejeitar a farsa imposta pela Superintendência do Ceeteps sobre o debate da BNCC. Uma boa iniciativa é formalizar a posição de todos num documento à direção da unidade (a seguir). Se isso for feito, mande cópia para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

Prezado/a Prof./Professora xxxxxxxx,

Diretor/a da ETEC xxxxxx

 

            Somos contrários à reforma do ensino médio da forma proposta pelo governo federal, imposta por meio de medida provisória e transformada na Lei 13.415/2017. Como é do conhecimento de todos, o governo federal organizou o chamado “Dia D da BNCC” em 2/8/2018, o que não aconteceu nas unidades do Centro. Devido à importância do assunto, reivindicamos que o Ceeteps promova uma jornada de debates sobre isso, culminando num dia inteiramente dedicado ao tema, envolvendo toda a comunidade. Somos contrários à reforma do ensino médio e à BNCC pelas razões que seguem:
 

  1. TODAS AS DISCIPLINAS, exceto Português e Matemática, deixam de ser obrigatórias na atual BNCC!

  2. Com isso, a reforma do ensino médio causará DESEMPREGO EM MASSA entre professores (as), pois além de muitas disciplinas não serem mais obrigatórias, também serão juntadas em algumas "áreas de conhecimento"!

  3. Esta BNCC torna mais de 40% do currículo como "parte flexível", sem nenhum detalhamento sobre quais disciplinas estarão nessa modalidade!

  4. Esta reforma abre espaço para que as aulas desta "parte flexível" sejam oferecidas fora da escola, online ou em institutos privados, podendo fazer de boa parte do ensino médio um "curso à distância"!

  5. Abre espaço também para contratações de docentes pelo chamado "notório saber", ou seja, sem obrigatoriedade de formação pedagógica e/ou específica na área!

  6. Esta BNCC é apoiada por grandes empresas, como Fundação Lemann, Fundação Roberto Marinho e até bancos, interessadas em privatizar o ensino e obter investimentos públicos para gerir e lucrar com a educação!

  7. A "consulta" para formular a BNCC não envolveu professores(as) e sociedade, dando ouvidos apenas aos interesses empresariais e do alto escalão do governo!

  8. Esta BNCC faz parte da "reforma" do ensino médio, que está mais para contrarreforma, imposta através de Medida Provisória e tornada lei sem uma consulta democrática! 

 

 

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